O Regresso de Quem Partiu

MAISA NALAPE

J:

Porque ficaste em silêncio

quando eu parti sem olhar para trás?

 

L:

Porque foi esse mesmo silêncio

que me ensinou a viver sem ti.

Foste embora sem mostrar tristeza,

e eu vi no teu rosto uma alegria estampada,

enquanto atendias chamadas

de outra pessoa.

 

J:

Não era alegria.

Era apenas a forma que encontrei

de fingir que sou feliz e forte sem ti.

 

L:

Mentira...

Para de mentir. Estou cansada.

Cansada de te ver sair e voltar

à minha vida quando te apetece,

como uma criança a brincar com um brinquedo.

Quando vais aprender a ser responsável

pelos sentimentos que deixas para trás?

 

J:

Eu sei...

Brinquei com os teus sentimentos.

Sei que querias construir comigo

uma vida estável, um futuro, um lar.

Mas escolhi viver como se fosse solteiro,

mesmo tendo alguém que me amava.

Agora percebo o que perdi.

Quero tentar contigo...

Será que podemos tentar mais uma vez?

 

L:

Não quero tentar novamente

com alguém que não sabe aprender.

Quem repete os mesmos erros

não está preparado para amar.

 

J:
Então porque não tentaste ligar-me?


L:
Porque não podia.
Estou a tentar seguir a minha vida sem ti.
E não quero voltar atrás
só porque ouvir a tua voz
pode fazer-me mudar de ideias.


J:
Então quer dizer que existe alguém?
Alguém que está a tentar conquistar-te?
Quem é essa pessoa?


L:
Deixa-me em paz, por favor.
Não me obrigues a abrir feridas
que estou a tentar fechar.
Não me faças lembrar
o nosso passado.


J:
Eu não consigo...

 

L:
Consegues, sim.
Antes de ires embora,
disseste que tinhas encontrado
quem sempre amaste.
Disseste que o nosso silêncio
era a paz que procuravas.
E agora que me vês a seguir em frente,
voltas a querer entrar na minha vida,
como se pudesses destruir novamente
a paz que lutei tanto para encontrar.


J:
Eu menti...
Mentia-te,
mas, acima de tudo,
mentia a mim próprio
cada vez que dizia aquelas palavras.


L:
Então guarda as tuas palavras.
Algumas despedidas
não precisam de outra explicação.
Adeus.

  • Autor: MAISA NALAPE (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 22 de agosto de 2026 21:36
  • Comentário do autor sobre o poema: Às vezes, ainda existe amor, mas já não existe espaço para voltar. Adoro transformar poesia num duelo de sentimentos, onde cada palavra é uma ferida e cada resposta é uma verdade.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3
  • Usuários favoritos deste poema: Jcosta., Michel F.M.
  • Em coleções: Maisa Nalape.
Comentários +

Comentários1

  • Jcosta.

    Ri muito lendo o seu dito.
    Que por sinal ficou porreta.
    Só que ao chegar ao final, me veio aos pensamentos uma interrogação.
    Qual dos dois, será o primeiro, a requerer a medida repressiva.
    Parabéns poetisa.
    Ficar bem.
    JCOSTA



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