J:
Porque ficaste em silêncio
quando eu parti sem olhar para trás?
L:
Porque foi esse mesmo silêncio
que me ensinou a viver sem ti.
Foste embora sem mostrar tristeza,
e eu vi no teu rosto uma alegria estampada,
enquanto atendias chamadas
de outra pessoa.
J:
Não era alegria.
Era apenas a forma que encontrei
de fingir que sou feliz e forte sem ti.
L:
Mentira...
Para de mentir. Estou cansada.
Cansada de te ver sair e voltar
à minha vida quando te apetece,
como uma criança a brincar com um brinquedo.
Quando vais aprender a ser responsável
pelos sentimentos que deixas para trás?
J:
Eu sei...
Brinquei com os teus sentimentos.
Sei que querias construir comigo
uma vida estável, um futuro, um lar.
Mas escolhi viver como se fosse solteiro,
mesmo tendo alguém que me amava.
Agora percebo o que perdi.
Quero tentar contigo...
Será que podemos tentar mais uma vez?
L:
Não quero tentar novamente
com alguém que não sabe aprender.
Quem repete os mesmos erros
não está preparado para amar.
J:
Então porque não tentaste ligar-me?
L:
Porque não podia.
Estou a tentar seguir a minha vida sem ti.
E não quero voltar atrás
só porque ouvir a tua voz
pode fazer-me mudar de ideias.
J:
Então quer dizer que existe alguém?
Alguém que está a tentar conquistar-te?
Quem é essa pessoa?
L:
Deixa-me em paz, por favor.
Não me obrigues a abrir feridas
que estou a tentar fechar.
Não me faças lembrar
o nosso passado.
J:
Eu não consigo...
L:
Consegues, sim.
Antes de ires embora,
disseste que tinhas encontrado
quem sempre amaste.
Disseste que o nosso silêncio
era a paz que procuravas.
E agora que me vês a seguir em frente,
voltas a querer entrar na minha vida,
como se pudesses destruir novamente
a paz que lutei tanto para encontrar.
J:
Eu menti...
Mentia-te,
mas, acima de tudo,
mentia a mim próprio
cada vez que dizia aquelas palavras.
L:
Então guarda as tuas palavras.
Algumas despedidas
não precisam de outra explicação.
Adeus.