Vingança

Ayalah Verônica Berg

 

Na fresta do muro, ninguém — 
só o frio do vento na nuca. 
Não haverá volta, porém 
a lâmina já foi afiada. 
 
Cada um é fera no espelho, 
a mão que afaga já apunhala. 
Nada se ergue, nem o joelho, 
só a vontade que cala. 
 
A família — retrato na parede, 
um riso cinza atrás da porta. 
Não há memória, nem sede, 
só o sorriso que corta. 
 
O resto é breu, e mesmo no breu, 
há um riso de quem venceu sem luta. 
Não há retorno — é meu 
o nada que se enxuga. 
 
E se te beijo, é vingança 
do escuro contra o talvez. 
Olho o céu e sua festa, 
enquanto eu rio da minha vez. 
 
E se toca meu rosto, é tarde —  
a eternidade não esquece.  
Sou a fome que arde  
e o silêncio que te devora.
 
 
Vingança 
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 22 de agosto de 2026 13:26
  • Comentário do autor sobre o poema: O problema é que procuramos alguém para envelhecer junto. Mas o que realmente precisamos é encontrar alguém com quem possamos permanecer crianças. –Bukowski
  • Categoria: Amor
  • Visualizações: 6


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