Há um ruído na mente,
um silêncio no peito,
pensamento recorrente,
procurando algum jeito.
Eu carrego uma cruz,
não por fé, nem castigo.
Talvez seja só a luz
que ainda briga comigo.
Tem olhares que decifram,
sem sequer perguntar.
Tem silêncios que significam
mais que o ato de falar.
Entre o caos e o intelecto,
entre o impulso e a razão,
há um abismo tão discreto
disfarçado de atração.
Gosto do que não se entrega,
do que escapa à explicação.
Da presença que não nega,
mas também não dá a mão.
Talvez seja só estética,
talvez seja identificação.
Duas mentes meio céticas,
flertando com a contradição.
Porque existe certo encanto
no que não pede tradução.
No olhar que guarda tanto
e ainda assim deixa questão.
E talvez o mais bonito
seja aquilo que não se diz:
um detalhe quase infinito
fazendo a noite parecer feliz.
No fim, não há resposta,
nem precisa existir.
Algumas coisas ficam mais bonitas
quando ninguém tenta definir.
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Autor:
.... (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 18 de agosto de 2026 23:41
- Categoria: Não classificado
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- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M.

Offline)
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