No Terreiro do Paço, em pedra, há um Cais
onde a Alma de Portugal 'inda respira e encerra,
no limiar do Mundo, um fado que por toda a terra,
canta abismos, voa Céus, antigos e ancestrais...
Quem o pisa, à chegada, é Cais de pura vida,
Luz do Tejo que o embrenha reflectindo Portugal;
Se pisado, à partida, é morte num passo natural,
Negro cortejo de sombras de lenços acenando à despedida.
Mas a Morte não é o fim, é outra sorte,
a outra face da Vida para lá dum negro véu ...
Quem parte, morre ao cais, mas quem chega é bom demais!
Pois que o mesmo mármore serve a vida e a má-sorte!
Das Colunas o cais é a porta d'um rio que se curva ao Céu,
e que à chegada traz mil vidas de mãos dadas com a morte.
Cais das Colunas
Terreiro do Paço
Lisboa
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Autor:
Ricardo Maria Louro / Káká Louro (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 18 de agosto de 2026 09:28
- Categoria: Ocasião especial
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Belas palavras
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