Ricardo Maria Louro

O Cais das Colunas

No Terreiro do Paço, em pedra, há um  Cais
onde a Alma de Portugal \'inda respira e encerra,
no limiar do Mundo, um  fado que por toda a terra,
canta abismos, voa Céus, antigos e ancestrais...

Quem o pisa, à chegada, é Cais de pura vida,
Luz do Tejo que o embrenha reflectindo Portugal;
Se pisado, à partida, é morte num passo natural,
Negro cortejo de sombras de lenços acenando à despedida. 

Mas a Morte não é o fim, é  outra sorte,
a outra face da Vida para lá dum negro véu ...
Quem parte, morre ao cais, mas quem chega é bom demais!

Pois que o mesmo mármore serve a vida e a má-sorte!
Das Colunas o cais é a porta d\'um rio  que se curva ao Céu,
e que à chegada traz mil vidas de mãos dadas com a morte.


Cais das Colunas
Terreiro do Paço
Lisboa