A Doceira de Goiás
Na velha casa da ponte, onde o Rio Vermelho chora,
mora a alma mais doce que Goiás já viu passar.
Suas mãos, calejadas pelo tempo, não têm hora
para colher o fruto do quintal e o tacho apurar.
mora a alma mais doce que Goiás já viu passar.
Suas mãos, calejadas pelo tempo, não têm hora
para colher o fruto do quintal e o tacho apurar.
Vila Boa adormece sob o cheiro do açúcar e da lenha,
enquanto a colher de pau desenha o ponto final.
É doce de cidra, de caju, de figo e de abóbora,
derretendo o cansaço em um tacho ancestral.
enquanto a colher de pau desenha o ponto final.
É doce de cidra, de caju, de figo e de abóbora,
derretendo o cansaço em um tacho ancestral.
Diziam que era poeta, mas ela sorria de lado,
afirmando que o verso era o que menos sabia fazer.
Seu verdadeiro dom estava no fruto cristalizado,
na arte de alimentar a vida para a fome esquecer.
afirmando que o verso era o que menos sabia fazer.
Seu verdadeiro dom estava no fruto cristalizado,
na arte de alimentar a vida para a fome esquecer.
Mulher miúda, de passos lentos e olhar profundo,
embrulhava sonhos em papel celofane brilhante.
Escrevia na pedra da cozinha as verdades do mundo,
doceira por profissão, poeta por um instante.
embrulhava sonhos em papel celofane brilhante.
Escrevia na pedra da cozinha as verdades do mundo,
doceira por profissão, poeta por um instante.
O picumã no teto, o estalar do fogo no chão,
as marcas da idade que o tempo não soube apagar.
A Doceira de Goiás transformou a sua própria servidão
no mais puro alimento que a alma humana pode provar.
as marcas da idade que o tempo não soube apagar.
A Doceira de Goiás transformou a sua própria servidão
no mais puro alimento que a alma humana pode provar.
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Autor:
GINO (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 17 de agosto de 2026 11:18
- Categoria: Ocasião especial
- Visualizações: 2
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz

Offline)
Comentários1
Poeta, que bela homenagem a nossa Cora, estive lá na casa dela não faz um ano, saindo de lá fui ler os poemas nas portas dos vizinhos até chegar na igreja, parei para tomar picolé e apreciar o por do sol na rua lateral a igreja... Boas lembranças...
Abraço
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