QUATRO MEDOS E UM GAÚCHO

Dr. Francisco Mello



O amanhã me causa espanto,

Não sei que me espera à frente;

Incerteza, dor latente,

Me enreda em qualquer canto.

O futuro, um frio manto,

Que me cobre e me apavora;

A noite não me devora

Pois estou firme nos tentos,

E feito cuscos atentos,

Me vou abispando a aurora.

II.

Se me julgam sem razão,

Que não pertenço ao rebanho,

Não me abchorna o tamanho

De quem não tem tradição.

A crítica traz o facão,

Diz que a minha voz é bucha,

Que é grosseria gaúcha,

Mas não dobra a minha alma;

E eu na mais pura calma,

Prego-lhe o grito: Alapucha.

III.

Pesa o medo de perder

A saúde, o pão da mesa,

O abraço, a casa acesa,

Tudo aquilo que é viver.

Se o destino vem colher

O que guardo e o que sonho,

Choro o pranto, mas componho

Uma payada de fé;

Mesmo troteando a pé,

Maneio o que é medonho.

                          BUENAS TCHÊ.

 

  • Autor: Dr. Francisco Mello (Offline Offline)
  • Publicado: 16 de agosto de 2026 23:49
  • Categoria: Fantástico
  • Visualizações: 3


Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.