O amanhã me causa espanto,
Não sei que me espera à frente;
Incerteza, dor latente,
Me enreda em qualquer canto.
O futuro, um frio manto,
Que me cobre e me apavora;
A noite não me devora
Pois estou firme nos tentos,
E feito cuscos atentos,
Me vou abispando a aurora.
II.
Se me julgam sem razão,
Que não pertenço ao rebanho,
Não me abchorna o tamanho
De quem não tem tradição.
A crítica traz o facão,
Diz que a minha voz é bucha,
Que é grosseria gaúcha,
Mas não dobra a minha alma;
E eu na mais pura calma,
Prego-lhe o grito: Alapucha.
III.
Pesa o medo de perder
A saúde, o pão da mesa,
O abraço, a casa acesa,
Tudo aquilo que é viver.
Se o destino vem colher
O que guardo e o que sonho,
Choro o pranto, mas componho
Uma payada de fé;
Mesmo troteando a pé,
Maneio o que é medonho.
BUENAS TCHÊ.