Amar Desigual

Oswaldo Jesus Motta

Quem ama desigual

carrega a distância.

Não escolhe.

Amar olhos verdes,

sendo eu chão e beco,

é saber que o afeto

não pergunta

o preço das coisas.

Não vem em taça.

Vem torto,

vem pouco,

vem como pode.

Amar assim

é saber do fim

antes do começo

e ainda seguir —

como quem sobe um morro

sabendo que, no alto,

não há ninguém.

Não escolhi te amar de longe.

Foi a vida que dividiu o mundo

entre quem pode

e quem sonha,

e me deixou

do lado de cá.

Amar, então,

é isso que resta:

o sonho como bem,

a falta como posse,

e você —

do outro lado

daquilo que não tenho

e não posso ter.

 

Comentários +

Comentários1

  • LEIDE FREITAS

    Um poema para refletir a questão posta.
    Gostei.

    Boa noite e até breve!

    • Oswaldo Jesus Motta

      Ótima noite e muito obrigado, poeta! Gratidão! Excelente final de semana e até!



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