Quem ama desigual
carrega a distância.
Não escolhe.
Amar olhos verdes,
sendo eu chão e beco,
é saber que o afeto
não pergunta
o preço das coisas.
Não vem em taça.
Vem torto,
vem pouco,
vem como pode.
Amar assim
é saber do fim
antes do começo
e ainda seguir —
como quem sobe um morro
sabendo que, no alto,
não há ninguém.
Não escolhi te amar de longe.
Foi a vida que dividiu o mundo
entre quem pode
e quem sonha,
e me deixou
do lado de cá.
Amar, então,
é isso que resta:
o sonho como bem,
a falta como posse,
e você —
do outro lado
daquilo que não tenho
e não posso ter.