Pessoas passam
como o vento.
Outras ficam —
mesmo quando o tempo
já levou quase tudo.
Aprendi, quase sem querer,
que algumas presenças
não pedem explicação.
Existem para que o mundo
pareça um pouco menos escuro.
Você é dessas.
Um brilho que não se anuncia,
uma delicadeza que envolve,
como a lua sobre o mar:
tocando a água
sem pedir
que ela a retenha.
Talvez essa seja
a sua sabedoria —
iluminar
sem fazer ruído.
Já vi o tempo passar,
os anos mudarem de rosto,
as certezas perderem o nome.
Porém há encontros
que o tempo não envelhece.
Apenas aprofunda.
Por isso, quando penso em você,
não penso em posse,
nem em promessa.
Penso no mar
que recebe a lua
e a devolve ao céu
sem jamais aprisioná-la.
Penso na luz
que atravessa uma janela
e segue adiante,
mas deixa o quarto
um pouco diferente.
Quem sabe seja isso
que torna certas pessoas
inesquecíveis?
Não precisam ser presença diária
para habitar, silenciosamente,
algum lugar dentro de nós.
Há pessoas que a vida
não explica.
Apenas coloca no caminho
e, muitos anos depois,
ainda estão ali —
como uma luz esquecida
acesa na janela.
E quando você visita a minha saudade,
é assim que acontece:
entre a lua e o mar,
entre o tempo e a memória.
Não pede nome.
Não pede resposta.
Não pede nada.
Encanta.
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Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 12 de agosto de 2026 10:38
- Categoria: Amor
- Visualizações: 2

Offline)
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