Desvia o olhar —
como quem se esquiva
da vida
por descuido.
Passa.
Me vê.
Finge
que não viu.
Eu também.
É a única língua
que aprendi
para não dizer
o que digo.
Há qualquer coisa
entre nós —
um silêncio
do tamanho
de um passo
que ninguém
se atreve a dar.
Talvez seja sonho.
Talvez vontade.
Ou apenas essa arte
de inventar distância
onde caberia
uma mão.
Se eu pudesse,
guardaria
um sorriso teu,
um segundo,
qualquer coisa
que tivesse
o teu jeito
de ficar.
Não pediria mais.
Porque há momentos
que nascem pequenos
e, justamente por isso,
cabem inteiros
dentro da memória.
Você passa.
Eu fico.
Agarro o que resta
como quem segura
um fósforo aceso
na palma da mão:
sabendo que queima,
sabendo que acaba,
e ainda assim
sem querer soltá-lo.
Porque, na paz inventada
do teu abraço,
eu deixaria de ser
metade
e talvez
nem precisasse
ser inteiro.
Bastaria
estar ali.
-
Autor:
Oswaldo Jesus Motta (
Offline) - Publicado: 11 de agosto de 2026 15:01
- Categoria: Amor
- Visualizações: 4

Offline)
Comentários1
Muito bom! ?
Boa tarde! Gratidão pela visita e pelo carinho! Abraços poéticos, saúde e paz!
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