Poema sem título Vol. II

Versos Discretos

Teu busto é como um cume de mármore quente,
onde a gravidade perde o seu império;
duas oferendas que a noite sustenta,
moldadas para o ritual do meu mistério.

Tua boca é uma fenda de romã madura,
entreaberta em um sulco de pura sede,
onde o desejo se faz oferenda e vinho,
e a minha carne sem filtro se enreda.

Nas coxas, o traçado de um templo antigo,
colunas de marfim sob o halo aceso;
cada contorno é uma vereda secreta
onde perco o juízo e me entrego preso.

O tecido em flor é a casca do fruto
que a minha mão tateia até rasgar;
és o abismo denso, o cálice vertido,
onde o meu fogo se consagra ao te devorar.

  • Autor: Versos Discretos (Online Online)
  • Publicado: 11 de agosto de 2026 09:59
  • Categoria: Erótico
  • Visualizações: 6
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