Teu busto é como um cume de mármore quente,
onde a gravidade perde o seu império;
duas oferendas que a noite sustenta,
moldadas para o ritual do meu mistério.
Tua boca é uma fenda de romã madura,
entreaberta em um sulco de pura sede,
onde o desejo se faz oferenda e vinho,
e a minha carne sem filtro se enreda.
Nas coxas, o traçado de um templo antigo,
colunas de marfim sob o halo aceso;
cada contorno é uma vereda secreta
onde perco o juízo e me entrego preso.
O tecido em flor é a casca do fruto
que a minha mão tateia até rasgar;
és o abismo denso, o cálice vertido,
onde o meu fogo se consagra ao te devorar.