atrás de cada instante
— outro.
e entre um e outro
a mentira que nos salva.
chegas do mar
em silêncio.
deslizas, sussurras,
nem tocas a margem
— e já me cobras
o que não prometeste.
comemos o sal com os dedos
e pedimos mais.
não há desgraça:
sabemos
que o pior já passou
e o pior
é não ter pior nenhum.
ergue-se uma vela
firme.
do amor não se cansa
quem já não espera nada
— e ainda assim
estende a mão.
a tristeza é água parada
nunca seca.
onda pálida recua
não ousa
— triste.
mas quem disse
que sou eu a margem?
não sejas boa.
a bondade é um vício
dos que temem o próprio reflexo.
quem é de pedra
não fere
— mas também não sangra.
escolhe.
o barco range
a morte se instala nos esgotos
e apesar de tudo
— núpcias.
é isto que ninguém perdoa:
que a beleza insista
sem motivo.
somos o resto que resta
— um quase entre dois nadas.
e nesse quase
toda a revolta
e toda a graça.
quase
de Ayalah Verônica Berg
-
Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 11 de agosto de 2026 01:16
- Comentário do autor sobre o poema: Você não vê quão necessário é um mundo de dores e problemas para educar uma inteligência e torná-la uma alma? – John Keats
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 61
- Usuários favoritos deste poema: Michel F.M., Rogério, Francisco Queiroz

Offline)
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