Não sabemos de onde viemos nem para onde a maré nos leva,
mas habitamos o intervalo, esse gigante território onde tudo se move...
Você não é apenas quem caminha pela casa,
é a própria casa, o jardim, o vento e a tempestade.
É o guardião silencioso de um ecossistema inteiro que pulsa no peito.
A vida é uma maré inconstante de altos e baixos,
um ciclo que respira subindo e descendo.
E na arquitetura do nosso estar no mundo,
a dor por vezes chega sem pedir licença,
ela é o impacto, a fagulha, o choque inevitável do existir.
Mas pare! E observe a ferida por um instante..
A vida lança a primeira flecha, rápida e afiada.
O martírio, porém, é o gesto involuntário
de pegar uma segunda flecha e fincá-la no mesmo lugar.
Não cabe acumular o ferro na carne,
cabe a coragem de retirar o que fere,
lavar a pele com água limpa e deixar o tempo regenerar.
Estranho é aceitar o sol sem perguntas,
mas exigir explicações de cada nuvem que passa.
Se o topo nos pertence, o vale também nos ensina a pisar.
Questionar apenas a sombra é esquecer que a luz precisa de espaço para pousar.
No fim, quando o barulho das dúvidas se cala,
resta a estrutura firme da sua própria presença,
este corpo que não é prisão,
mas o abraço mais antigo que a natureza te deu para atravessar o caminho.
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Autor:
Ana Gonçalves (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 10 de agosto de 2026 22:18
- Categoria: Reflexão
- Visualizações: 3

Offline)
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