Poema: A Hora da Estrela (Inspiração à Clarice)

Gino, Sinvaldo de Souza

Poema: A Hora da Estrela (Inspiração à Clarice)

 

Macabéa é um quase.  

É o nada que respira.  

Datilografa vidas alheias  

e não sabe soletrar a sua.  

Come pouco, cala muito,  

e sobrevive de migalhas de mundo.  

 

Nordeste na pele, fome na alma.  

Ela ri sem motivo,  

porque ninguém lhe ensinou a dor.  

Glória é nome de novela,  

não de quem mora no cortiço  

e divide o quarto com baratas.  

 

E então vem a hora.  

Sem aviso, sem ensaio.  

Um carro corta a rua  

e corta também o destino.  

Mas na morte pequena dela  

explode uma estrela que ninguém esperava.

Comentários +

Comentários1

  • Francisco Queiroz

    Muito bom, poeta
    Deu para ver a cena.

    Abraço

    • Gino, Sinvaldo de Souza

      Obrigado! Ao escrever fui vendo o cenário e os acontecimentos à Macabéa! Vida Severina, será que ela saberia disso? Tudo era nada e nada era sem importância de ser... Para ela, tanto faz! O rizo era espontâneo e sem significado de alegria, porque nem isso ela tem, mas também não tem tristeza, apenas está lá em seu ambiente sem Luz, sem vida, sem tudo e sem nada!



    Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.