Poema: A Hora da Estrela (Inspiração à Clarice)
Macabéa é um quase.
É o nada que respira.
Datilografa vidas alheias
e não sabe soletrar a sua.
Come pouco, cala muito,
e sobrevive de migalhas de mundo.
Nordeste na pele, fome na alma.
Ela ri sem motivo,
porque ninguém lhe ensinou a dor.
Glória é nome de novela,
não de quem mora no cortiço
e divide o quarto com baratas.
E então vem a hora.
Sem aviso, sem ensaio.
Um carro corta a rua
e corta também o destino.
Mas na morte pequena dela
explode uma estrela que ninguém esperava.