As beiradas de tempo
e o espaço que tenho para mim,
um dia, um fim de noite qualquer,
o que sobra após o cansaço.
Abro um livro, e as páginas me vão...
Amanhã acordo cedo,
mas isso não tenho por certo.
Se acordo cedo,
ou me atraso,
ou poeticamente
não me acordo mais.
Em meu hoje tardio,
é da poltrona que não me afasto,
olho para a vitrola, avisto
o interessante movimento de seu braço.
Das bordas do vinil para o centro,
a melodia ressoa, seguindo a sua trilha,
e eu me vou, meio desajustado,
arranhando-me nas realidades descritas,
iluminadas pela luz amarela.
Para um momento, penso:
meu fim será o centro
ou uma palavra
escrita na borda do livro?
Apenas uma nuvem passageira,
vai-se rápido como um lampejo,
as linhas me chamam novamente.
E a melodia me embala,
acelera a leitura
ao passo que reduz,
vou ao limite do imaginar,
um quase sonhar...
Então, depois de um apogeu,
a descida lenta,
me entrego,
embriagado de sono,
já não dou conta de mim...
Me recolho o corpo,
e algo de mim parte
para outros cantos,
bordas, centros...
Sabe-se lá.
Amanhã acordo cedo,
é bom que não me vá
muito longe...
-
Autor:
Francisco Queiroz (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 5 de agosto de 2026 22:21
- Comentário do autor sobre o poema: Entre livros e vinis, pelos limites sutis entre o cansaço do dia, a vigília e o sonho.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 11
- Usuários favoritos deste poema: Jcosta.
- Em coleções: Naruteza, Silêncios.

Offline)
Comentários3
Vitrola, vinil.
O meu, nos estamos em, 26, isso e coisas do passado.
Se moderniza, com sardinha frita na energia solar, vinho servido no telhado.
Abraços, mas e por ai a coisa, tira umas folgas.
Apegaua
Olá meu querido amigo,
Há espaço para os dois o moderno e o antigo, inclusive eu tenho uma bike estilo monareta e outra elétrica, e as duas me servem bem...
Folga eu já tiro enquanto durmo, já é o suficiente, hehe...
Não há mal em estar cansado, é sinal que a labuta foi boa, o corpo dá mais espaço para a mente...
A ventania aqui começa agora em agosto... Cuide-se.
Abraço
Belo poema... amei!
Obrigado pela leitura, Ayalah
Abraço
Rapaz, nem me lembre, perdi uma dúzia de bananeiras, mas ralhei com o vento, perguntando lhe por que eu.
Seu dito ficou porreta, li para o esfomeado em voz alta e ele gostou.
Bravos mestre poeta, pensei que era eu.
Risosssss.
Abraços.
JCOSTA
Que bom que ele gostou! O meu aqui agora escuta fado por tua influência... Abraços!
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