As beiradas de tempo
e o espaço que tenho para mim,
um dia, um fim de noite qualquer,
o que sobra após o cansaço.
Abro um livro, e as páginas me vão...
Amanhã acordo cedo,
mas isso não tenho por certo.
Se acordo cedo,
ou me atraso,
ou poeticamente
não me acordo mais.
Em meu hoje tardio,
é da poltrona que não me afasto,
olho para a vitrola, avisto
o interessante movimento de seu braço.
Das bordas do vinil para o centro,
a melodia ressoa, seguindo a sua trilha,
e eu me vou, meio desajustado,
arranhando-me nas realidades descritas,
iluminadas pela luz amarela.
Para um momento, penso:
meu fim será o centro
ou uma palavra
escrita na borda do livro?
Apenas uma nuvem passageira,
vai-se rápido como um lampejo,
as linhas me chamam novamente.
E a melodia me embala,
acelera a leitura
ao passo que reduz,
vou ao limite do imaginar,
um quase sonhar...
Então, depois de um apogeu,
a descida lenta,
me entrego,
embriagado de sono,
já não dou conta de mim...
Me recolho o corpo,
e algo de mim parte
para outros cantos,
bordas, centros...
Sabe-se lá.
Amanhã acordo cedo,
é bom que não me vá
muito longe...