Água doce

Isamara Machado

E se algumas águas soubessem o que precisamos deixar para trás?

Chego com minhas águas confusas, inquietas.

Deito minha cabeça em suas águas frias,

sinto as águas cobrirem minhas orelhas.

O som muda.

É leve, tão leve,

capaz de levar embora toda a aflição.

Eu não estava apenas dentro daquele rio.

Havia alguma coisa em mim que reconhecia aquelas águas.

Calmas, mas perigosas.

Suaves, mas capazes de carregar.

Agitadas, mas não fracas.

E é justamente na queda

que elas ganham força.

Sinto que é necessário me despir,

soltar,

para que siga o fluxo,

purificando minhas feridas,

para que assim eu renasça.

  • Autor: Isamara Machado (Offline Offline)
  • Publicado: 5 de agosto de 2026 09:13
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 3


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