E se algumas águas soubessem o que precisamos deixar para trás?
Chego com minhas águas confusas, inquietas.
Deito minha cabeça em suas águas frias,
sinto as águas cobrirem minhas orelhas.
O som muda.
É leve, tão leve,
capaz de levar embora toda a aflição.
Eu não estava apenas dentro daquele rio.
Havia alguma coisa em mim que reconhecia aquelas águas.
Calmas, mas perigosas.
Suaves, mas capazes de carregar.
Agitadas, mas não fracas.
E é justamente na queda
que elas ganham força.
Sinto que é necessário me despir,
soltar,
para que siga o fluxo,
purificando minhas feridas,
para que assim eu renasça.