JÉSSICA

Charles Araújo

 JÉSSICA

 

Tu que nunca sentiste,

até quando partiste,

não deixaste arrependimento

nem palavras por terminar.

 

Eu,que me fiz de rogado,

a ti, somente a ti,

entreguei o silêncio

como quem acredita

que o orgulho também é a resposta.

 

Perdi tempo

esperando que entendesses

o que nunca tive coragem

de dizer.

 

Hoje te vejo,tão linda,tão linda...

Como se o tempo tivesse escolhido

ser gentil contigo.

 

Mas de que me valem

teus olhos,

se já não procuram os meus?

 

Aprendi que certas distâncias

não se medem em ruas,

nem em anos.

Medem-se do que já não pode

ser compartilhado.

 

Jurei aos céus

que teu nome

não voltaria

a ocupar meus pensamentos.

 

Mas é o inferno que sabe

quantas vezes

a promessa falhou

sem que ninguém percebesse.

 

Sim,odeio o jeito...

Meu jeito,que ainda diminui o passo

quando imagina

te encontrar.

 

Que ainda reconhece

tua risada antes mesmo

de ouvir tua voz.

 

Que acompanha,

em silêncio,

você virando a esquina

como se alguma parte de mim

ainda esperasse

que voltasses.

 

Não voltas.

E talvez nem devesse.

Há coisas que acabam

antes mesmo de terminarem.

 

Mas sabes...

No fundo,

sei apenas isto:

o esquecimento

raramente escolhe

um lado só.

 

  • Autor: C.araujo (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 1 de agosto de 2026 21:33
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2


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