JÉSSICA
Tu que nunca sentiste,
até quando partiste,
não deixaste arrependimento
nem palavras por terminar.
Eu,que me fiz de rogado,
a ti, somente a ti,
entreguei o silêncio
como quem acredita
que o orgulho também é a resposta.
Perdi tempo
esperando que entendesses
o que nunca tive coragem
de dizer.
Hoje te vejo,tão linda,tão linda...
Como se o tempo tivesse escolhido
ser gentil contigo.
Mas de que me valem
teus olhos,
se já não procuram os meus?
Aprendi que certas distâncias
não se medem em ruas,
nem em anos.
Medem-se do que já não pode
ser compartilhado.
Jurei aos céus
que teu nome
não voltaria
a ocupar meus pensamentos.
Mas é o inferno que sabe
quantas vezes
a promessa falhou
sem que ninguém percebesse.
Sim,odeio o jeito...
Meu jeito,que ainda diminui o passo
quando imagina
te encontrar.
Que ainda reconhece
tua risada antes mesmo
de ouvir tua voz.
Que acompanha,
em silêncio,
você virando a esquina
como se alguma parte de mim
ainda esperasse
que voltasses.
Não voltas.
E talvez nem devesse.
Há coisas que acabam
antes mesmo de terminarem.
Mas sabes...
No fundo,
sei apenas isto:
o esquecimento
raramente escolhe
um lado só.