Degraus Flutuante

Grilo Magro

Degraus Flutuantes

 

Canso-me de te procurar no escuro,distante, onde o olhar só reflete o vazio.

Recolho-me aos meus aconchegos noturnos,implorando o relato de uma clareza diurna.

 

Acata estes desejos como ventos errantes,rasga no teu paladar uma passagem secreta.

Pois sob o sol que declina na hora errada,derretem-se as promessas da voz amorosa.

 

Em espinhos adormeço, sem sucesso,sinto a luz soluçar na hora mecânica,repleto de saudades do suor que partilhámos,enquanto choram os poros a vaidade perdida.

 

Sobre a maré de um tempo já esquecido,permaneço encalhado nas tuas tempestades.

Em degraus flutuantes de pouca esperança,morre a tua sombra colorida em meus sonhos.

 

Canso-me de te procurar no escuro,entre contos perdidos e velhos encantos.

Sinto os pecados despidos de ansiedade,na fria realidade que nos foi deserdada.

 

— João Miguel 03.04.2004l

  • Autor: Grilo Magro (Offline Offline)
  • Publicado: 31 de julho de 2026 08:07
  • Categoria: Não classificado
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