Degraus Flutuantes
Canso-me de te procurar no escuro,distante, onde o olhar só reflete o vazio.
Recolho-me aos meus aconchegos noturnos,implorando o relato de uma clareza diurna.
Acata estes desejos como ventos errantes,rasga no teu paladar uma passagem secreta.
Pois sob o sol que declina na hora errada,derretem-se as promessas da voz amorosa.
Em espinhos adormeço, sem sucesso,sinto a luz soluçar na hora mecânica,repleto de saudades do suor que partilhámos,enquanto choram os poros a vaidade perdida.
Sobre a maré de um tempo já esquecido,permaneço encalhado nas tuas tempestades.
Em degraus flutuantes de pouca esperança,morre a tua sombra colorida em meus sonhos.
Canso-me de te procurar no escuro,entre contos perdidos e velhos encantos.
Sinto os pecados despidos de ansiedade,na fria realidade que nos foi deserdada.
— João Miguel 03.04.2004l