Castelo gélido

Paloma Perotte

Gélido Castelo

Querido, ainda me perco no seu olhar:

desejo, anseio, compaixão,

preso e imerso na constelação de sua íris,

junto com o ódio que você semeia na nossa prisão.

Quem é o homem na minha frente?

Estou ligada à dúvida de um fio vermelho,

entrelaçado ao seu dedo mindinho

e emaranhado, contorcendo em meu ser.

Eu estou presa em um lapso de memória,

o perigo me apavora.

Como é que não conheço o homem que se diz meu marido?

Na mesa do destino me tornei um joguete outra vez:

como torre, seus cavalos e bispos tentam se defender

de um rei que se diz íntegro.

Eu passei pela ponte do esquecimento no submundo,

o que me separou dele no mundo dos vivos.

Tu estás como juiz nesse gélido castelo

de um amor que está preso há mil anos.

Me tornei um obsessor, e o futuro irei destruir.

Querido, me perco no seu olhar:

indiferença, anseio, desejo.

Fique preso na constelação das minhas íris,

pois sou Anúbis e serei a árvore da semente do ódio

que você semear em nossas vidas.

 

 

  • Autor: Luna perotte (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 30 de julho de 2026 20:07
  • Comentário do autor sobre o poema: Quando estamos preso um ideal que nos acorrenta
  • Categoria: Carta
  • Visualizações: 1


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