Gélido Castelo
Querido, ainda me perco no seu olhar:
desejo, anseio, compaixão,
preso e imerso na constelação de sua íris,
junto com o ódio que você semeia na nossa prisão.
Quem é o homem na minha frente?
Estou ligada à dúvida de um fio vermelho,
entrelaçado ao seu dedo mindinho
e emaranhado, contorcendo em meu ser.
Eu estou presa em um lapso de memória,
o perigo me apavora.
Como é que não conheço o homem que se diz meu marido?
Na mesa do destino me tornei um joguete outra vez:
como torre, seus cavalos e bispos tentam se defender
de um rei que se diz íntegro.
Eu passei pela ponte do esquecimento no submundo,
o que me separou dele no mundo dos vivos.
Tu estás como juiz nesse gélido castelo
de um amor que está preso há mil anos.
Me tornei um obsessor, e o futuro irei destruir.
Querido, me perco no seu olhar:
indiferença, anseio, desejo.
Fique preso na constelação das minhas íris,
pois sou Anúbis e serei a árvore da semente do ódio
que você semear em nossas vidas.