Raízes
Há raízes que perfuram meu corpo
não para matar-me depressa,
mas para decompor-me lentamente,
gota por gota, pensamento por pensamento.
Decompõem-me pelo sentimento estranho
de querer entender aquilo que não entendo,
como um bêbado que encara o fundo do copo
esperando encontrar ali o sentido da existência.
Por que as coisas são tão confusas?
Por que a vida se veste de ironia,
quando o outro parece saber exatamente
o que devo fazer,
e eu permaneço perdido,
confuso, tateando a escuridão da própria alma?
Quero ajudar,
mas como ajudar quem se cala?
Por que não falas?
Por que escondes a dor
de quem estende as mãos sem saber o caminho?
Às vezes penso que o egoísmo é cego,
e justamente por ser cego
fere mais do que protege.
Acredita salvar-se do sofrimento,
mas apenas espalha silêncio
entre corações que poderiam compreender-se.
Talvez a vida seja assim:
egoísta em sua natureza,
injusta com aqueles
que desejam entender o que não lhes é óbvio.
Nós, tolos de alma inquieta,
carregamos a maldição de perguntar demais.
Enquanto outros vivem na superfície tranquila dos dias,
nós mergulhamos nas profundezas turvas
tentando decifrar gestos, silêncios, ausências
e verdades que nunca se revelam inteiras.
E assim continuo,
com raízes atravessando meu corpo
e o vinho escuro atravessando minhas noites,
sem saber se busco compreender o mundo
ou apenas encontrar alguém
que compreenda esta alma cansada de não entender.
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Autor:
Thomas Vasconcellos Ivanov (
Offline) - Publicado: 28 de julho de 2026 13:34
- Categoria: Triste
- Visualizações: 4
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