sonhei você tão meu
que quase acreditei.
depois ri — por dentro —
porque sei mentir
com a boca cheia
de verdades.
dentro de mim
tem um pântano arrumado,
lodo com traços de beleza.
e você lá,
afundando devagar,
sem notar que afunda.
e eu olhando.
que ironia a minha.
mil versões minhas
não deram em árvore,
não deram em verso.
só esta fome
bem ensaiada.
volto a mim
e já chove há horas.
proteger-se de quê,
se eu mesma sou a tempestade?
mordo a ponta da língua
até o quase.
o sim não vem.
e nesse instante suspenso
entre o sonho e a queda,
alguma coisa em mim
estremece.
amar assim,
sem tocar,
é o único jeito decente
de sujar as mãos
sem odiar.
o inferno sou eu
de Ayalah Verônica Berg
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Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 28 de julho de 2026 13:08
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 58
- Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos, Michel F.M.

Offline)
Comentários3
Ficou bom!
Que bom... hehe.
Geralmente, o inferno são os outros, kkk
Sempre é muito bom ler teus poemas, Ayalah...
Abraço
Um poema para apreciar e refletir. O amor que nasce dentro de si e fica dentro remoendo o medo de arriscar o sofrimento real.
Gostei demais!!!
Obrigada por ler e comentar.
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