o inferno sou eu

Ayalah Verônica Berg

 

sonhei você tão meu
que quase acreditei.
depois ri — por dentro —
porque sei mentir
com a boca cheia
de verdades.
 
dentro de mim
tem um pântano arrumado,
lodo com traços de beleza.
e você lá,
afundando devagar,
sem notar que afunda.
e eu olhando.
que ironia a minha.
 
mil versões minhas
não deram em árvore,
não deram em verso.
só esta fome
bem ensaiada.
 
volto a mim
e já chove há horas.
proteger-se de quê,
se eu mesma sou a tempestade?
 
mordo a ponta da língua
até o quase.
o sim não vem.
e nesse instante suspenso
entre o sonho e a queda,
alguma coisa em mim
estremece.
 
amar assim,
sem tocar,
é o único jeito decente
de sujar as mãos
sem odiar.
 
 
o inferno sou eu 
 de Ayalah Verônica Berg 

 

  • Autor: Ayalah Berg (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 28 de julho de 2026 13:08
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 58
  • Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos, Michel F.M.
Comentários +

Comentários3

  • Rogério

    Ficou bom!

  • Francisco Queiroz

    Geralmente, o inferno são os outros, kkk
    Sempre é muito bom ler teus poemas, Ayalah...

    Abraço

  • Antonio Olivio

    Um poema para apreciar e refletir. O amor que nasce dentro de si e fica dentro remoendo o medo de arriscar o sofrimento real.
    Gostei demais!!!



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