sonhei você tão meu
que quase acreditei.
depois ri — por dentro —
porque sei mentir
com a boca cheia
de verdades.
dentro de mim
tem um pântano arrumado,
lodo com traços de beleza.
e você lá,
afundando devagar,
sem notar que afunda.
e eu olhando.
que ironia a minha.
mil versões minhas
não deram em árvore,
não deram em verso.
só esta fome
bem ensaiada.
volto a mim
e já chove há horas.
proteger-se de quê,
se eu mesma sou a tempestade?
mordo a ponta da língua
até o quase.
o sim não vem.
e nesse instante suspenso
entre o sonho e a queda,
alguma coisa em mim
estremece.
amar assim,
sem tocar,
é o único jeito decente
de sujar as mãos
sem odiar.
o inferno sou eu
de Ayalah Verônica Berg