Carona

Queiroz Francisco

Do banco de trás, eu observo:

o dia se esvaindo, o sol se pondo,

as conversas de toda sorte ou azar,

todas com alguma solução, principalmente

quando não exigem de quem as propõe ação.

 

Finjo sono para não ter opinião.

 

No posto, a parada necessária

para se esticar, esvaziar a bexiga,

abastecer o carro com gasolina,

repor a cafeína.

 

Volta a estrada,

muda o condutor, a direção,

mudam as estações de rádio;

o papo acaba.

 

Daqui, as serras parecem tão silenciosas.

A estrada se estica quanto mais se corre.

A chegada é logo ali, mas nunca se chega.

 

Já é noite.

E os pontinhos no céu

percorreram muitos anos feitos de luz

para brilharem hoje para mim.

  • Autor: F. Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 27 de julho de 2026 21:14
  • Comentário do autor sobre o poema: Uma viagem de carona pelo banco de trás, onde o silêncio e a imensidão da estrada revelam muitas coisas...
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 9
  • Usuários favoritos deste poema: Pietro Guilherme Piazera, Queiroz Francisco
  • Em coleções: Naruteza.
Comentários +

Comentários1

  • Sergio Neves

    SERGIO NEVES - ...meu amigo...,...dissertaste sobre essa tua "aventura" com enorme doses de realismo e sensibilidade...,...me senti como sendo eu o próprio carona...,...tens muito "tato" para a escrita... // ...agradável leitura! /// Abçs.

    • Queiroz Francisco

      Obrigado pela leitura carinhosa.

      Um fraterno abraço, Sérgio



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