Do banco de trás, eu observo:
o dia se esvaindo, o sol se pondo,
as conversas de toda sorte ou azar,
todas com alguma solução, principalmente
quando não exigem de quem as propõe ação.
Finjo sono para não ter opinião.
No posto, a parada necessária
para se esticar, esvaziar a bexiga,
abastecer o carro com gasolina,
repor a cafeína.
Volta a estrada,
muda o condutor, a direção,
mudam as estações de rádio;
o papo acaba.
Daqui, as serras parecem tão silenciosas.
A estrada se estica quanto mais se corre.
A chegada é logo ali, mas nunca se chega.
Já é noite.
E os pontinhos no céu
percorreram muitos anos feitos de luz
para brilharem hoje para mim.