O que quero ainda não tem nome.
Tu partiste antes do tempo nascer
e levaste contigo
o último sopro quente da manhã.
Sem asas,
sem guelras,
sem o caldeirão onde eu fervia
orelhas e promessas —
cortaste tudo
com a elegância de quem fecha uma porta
e sorri do outro lado.
Agora o instante morde os calcanhares
e ri baixinho:
nada havia além daquela boca,
daquela tarde,
do gosto metálico
de um quase para sempre.
É estranho e doce
descobrir que o fundo também balança,
que a queda tem seu próprio ritmo,
que o não ser
pulsa.
Ficou o perfume do que não temos
pairando sobre os dentes
como uma pergunta
que ninguém fez.
E eu,
sem saber nadar nem voar,
aprendo a cair com estilo —
enquanto a noite observa
e a morte,
dará o ar coquete
que desvia o olhar.
Inominável desejo
de Ayalah Verônica Berg
-
Autor:
Ayalah Berg (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 24 de julho de 2026 18:46
- Comentário do autor sobre o poema: "Inominável Desejo" é sobre a minha ferida original, o vazio que nos lapidou. Já "Lenta", que escrevi uns meses depois, é a evolução dessa dor. Então, lendo os dois poemas em sequência, temos desabafos e lamentos da minha percepção do vazio existencial... e lamentos e desabafos sobre meu desejo de fugir do inferno... hehe.
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 4
- Usuários favoritos deste poema: Francisco Queiroz

Offline)
Comentários1
Há poemas que apenas descrevem uma ausência; este a transforma em matéria viva. A delicadeza das imagens, unida a uma linguagem profundamente original, conduz o leitor por um abismo que, paradoxalmente, pulsa de beleza. Um texto de rara maturidade poética, onde o indizível encontra voz sem jamais perder seu mistério. Parabéns poetisa pelo belo texto que nos proporcionou.
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