O que quero ainda não tem nome.
Tu partiste antes do tempo nascer
e levaste contigo
o último sopro quente da manhã.
Sem asas,
sem guelras,
sem o caldeirão onde eu fervia
orelhas e promessas —
cortaste tudo
com a elegância de quem fecha uma porta
e sorri do outro lado.
Agora o instante morde os calcanhares
e ri baixinho:
nada havia além daquela boca,
daquela tarde,
do gosto metálico
de um quase para sempre.
É estranho e doce
descobrir que o fundo também balança,
que a queda tem seu próprio ritmo,
que o não ser
pulsa.
Ficou o perfume do que não temos
pairando sobre os dentes
como uma pergunta
que ninguém fez.
E eu,
sem saber nadar nem voar,
aprendo a cair com estilo —
enquanto a noite observa
e a morte,
dará o ar coquete
que desvia o olhar.
Inominável desejo
de Ayalah Verônica Berg