O que é raso não me interessa,
Porque eu não sei sentir o pouco,
Meus sentimentos nascem já sem filtros,
Sem essa mania de medir o que sentir.
Ou eu vivo ou não vivo.
Eu não sei amar de canto,
Nem sorrir para disfarçar caos.
Sou o tipo que mergulha sem saber nadar,
Porque o medo não combina com quem tem sede.
E a verdade é essa, eu tenho sede demais.
Tem gente que se contenta com poça,
Acha bonito o reflexo da superfície.
Mas não entende que no fundo é onde mora o real.
As águas calmas enganam.
É no raso que o corpo tropeça,
É no raso que o peito rasga,
É ali que muita gente se afoga.
Porque não percebe que o raso também pode sufocar.
Não é preciso profundidade para se perder,
Basta se acostumar com pouco, com o quase, com o morno.
Por que nunca aprenderam a lidar
Com o peso da própria alma.
Mas eu recuso a me acostumar.
Quero o fundo,
O lugar onde o silêncio pesa,
Onde o escuro assusta,
Mas o coração encontra sentido.
Quero o mergulho que tire o ar
E devolve o fôlego em forma de verdade,
Quero sentir tanto que doa,
Porque dor também é prova de vida.
E se me perguntarem por que me jogo,
Por que insisto em viver sem armadura,
Eu respondo:
“Porque o raso nunca me bastou.”
Prefiro me perder no fundo
Com peito aberto e os olhos ardendo de sal,
Do que sobreviver na superfície,
Sem nunca ter sentido o essencial.
-
Autor:
Isabelly.B (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 21 de julho de 2026 18:15
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 2

Offline)
Para poder comentar e avaliar este poema, deve estar registrado. Registrar aqui ou se você já está registrado, login aqui.