Isabelly.B

Se não for para amar, não vale a pena se apaixonar.

O que é raso não me interessa,

Porque eu não sei sentir o pouco,

Meus sentimentos nascem já sem filtros,

Sem essa mania de medir o que sentir.

Ou eu vivo ou não vivo.

 

Eu não sei amar de canto,

Nem sorrir para disfarçar caos.

Sou o tipo que mergulha sem saber nadar,

Porque o medo não combina com quem tem sede.

E a verdade é essa, eu tenho sede demais.

 

Tem gente que se contenta com poça,

Acha bonito o reflexo da superfície.

Mas não entende que no fundo é onde mora o real.

As águas calmas enganam.

É no raso que o corpo tropeça,

É no raso que o peito rasga,

É ali que muita gente se afoga.

 

Porque não percebe que o raso também pode sufocar.

Não é preciso profundidade para se perder,

Basta se acostumar com pouco, com o quase, com o morno.

Por que nunca aprenderam a lidar

Com o peso da própria alma.

Mas eu recuso a me acostumar.

 

Quero o fundo,

O lugar onde o silêncio pesa,

Onde o escuro assusta,

Mas o coração encontra sentido.

 

Quero o mergulho que tire o ar

E devolve o fôlego em forma de verdade,

Quero sentir tanto que doa,

Porque dor também é prova de vida.

 

E se me perguntarem por que me jogo,

Por que insisto em viver sem armadura,

Eu respondo:

“Porque o raso nunca me bastou.”

Prefiro me perder no fundo

Com peito aberto e os olhos ardendo de sal,

Do que sobreviver na superfície,

Sem nunca ter sentido o essencial.