POEMA DA AMIZADE QUE RESISTE AO

Francisco Claudio Claudio Gia

POEMA DA AMIZADE QUE RESISTE AO TEMPO

Claudio Gia
Macau, RN — 20 de julho de 2026

I

A amizade é ponte sobre o abismo do tempo,
fio invisível que une dois corações,
arquitetura de silêncios e escuta,
onde o outro se revela em suas estações.
Não pede provas, não exige sinais,
apenas habita no gesto que acolhe,
na mão estendida quando a noite cai.

II

Na Grécia antiga, philia era sagrada,
laço que os deuses mesmos abençoavam,
pois sabiam que o homem não é ilha,
mas arquipélago de relações que se entrelaçam.
Aristóteles via no amigo um espelho,
onde a própria alma se reconhece e se completa,
e o tempo, senhor de tudo, diante disso se ajoelha.

III

Há amizades que atravessam os séculos,
como o sol que nunca deixa de brilhar,
Ruth e Naomi, Davi e Jônatas,
almas que o vento não pode separar.
São laços que a morte não desfaz,
escritos na matéria imperecível do espírito,
ecoando além do que os olhos podem enxergar.

IV

Neste dia que o mundo celebra,
o amigo é festa que nunca se esgota,
riso compartilhado, lágrima enxuta,
presença que o isolamento derrota.
Amigo é aquele que não foge do peso,
mas divide o fardo com mãos firmes e leais,
transformando o caminho áspero em estrada de paz.

V

A amizade verdadeira não se compra,
nem se negocia, nem se impõe pela força,
é dom gratuito que floresce no encontro,
como a chuva que brota da própria terra.
Ela exige paciência, exige perdão,
exige estar presente mesmo na ausência,
ser testemunha da dor e da resiliência.

VI

Doce é ter um amigo que nos lembra
quem somos quando a névoa nos cega,
que nos aponta o horizonte quando duvidamos,
e celebra conosco cada vitória que chega.
Ele é o eco da nossa própria voz,
mas ampliado pela graça do afeto,
o conforto que a solidão jamais nos deu.

VII

Que possamos, neste vinte de julho,
honrar a amizade como bem precioso,
tesouro que o dinheiro não alcança,
presente do tempo, dom generoso.
Pois, no fim da longa estrada da vida,
o que sobra não são bens nem glórias vãs,
mas os rostos amados que guardamos na alma,
e as mãos que apertamos ao longo dos anos.

"O amigo ama em todo o tempo; e na adversidade ele se torna um irmão."
(Provérbios 17,17)

  • Autor: Claudio Gia (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 20 de julho de 2026 13:56
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 4


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