Esperança

Naomi

O ecrã brilha, o trânsito ruge, a pressa consome a cidade,
mas no peito de quem sobreviveu, o compasso é de serenidade.
Foram anos de trincheiras invisíveis, de travesseiros molhados,
lutando contra fantasmas que a mente trazia do passado.
A juventude de hoje carrega feridas que ninguém consegue ver,
cicatrizes na alma que o espelho insiste em esconder.
Mas há um dia, no meio do caos de um café lotado,
em que o peito respira fundo e o choro é desarmado.
Olhas para as mãos e já não vês os punhos cerrados para a briga,
A pele aceita o toque, o tempo aceita a trégua antiga.
A "guerra" não pede mais sangue nem dor,
transformou-se no silêncio bom de um quarto cheio de amor.
Viver hoje é o milagre de ver o sol nascer na janela,
é perceber que a vida, mesmo partida, ainda é bela.
O som do tráfego lá fora já não parece um aviso de perigo, e só o mundo a girar, enquanto finalmente estás em paz contigo.
A tempestade passou, os monstros cansaram-se de tentar,
No fim da guerra de hoje, o teu único dever é respirar.

  • Autor: Naomi Lina (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 17 de julho de 2026 15:16
  • Comentário do autor sobre o poema: O céu lá fora já não veste o cinza do bombardeio que acontecia cá dentro. A guerra acabou, embora o mundo moderno teime em fazer barulho. Poema dedicado aos meus irmãos que tem enfretado tempos difíceis. Naomi do futuro.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 0


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