O ecrã brilha, o trânsito ruge, a pressa consome a cidade,
mas no peito de quem sobreviveu, o compasso é de serenidade.
Foram anos de trincheiras invisíveis, de travesseiros molhados,
lutando contra fantasmas que a mente trazia do passado.
A juventude de hoje carrega feridas que ninguém consegue ver,
cicatrizes na alma que o espelho insiste em esconder.
Mas há um dia, no meio do caos de um café lotado,
em que o peito respira fundo e o choro é desarmado.
Olhas para as mãos e já não vês os punhos cerrados para a briga,
A pele aceita o toque, o tempo aceita a trégua antiga.
A \"guerra\" não pede mais sangue nem dor,
transformou-se no silêncio bom de um quarto cheio de amor.
Viver hoje é o milagre de ver o sol nascer na janela,
é perceber que a vida, mesmo partida, ainda é bela.
O som do tráfego lá fora já não parece um aviso de perigo, e só o mundo a girar, enquanto finalmente estás em paz contigo.
A tempestade passou, os monstros cansaram-se de tentar,
No fim da guerra de hoje, o teu único dever é respirar.