Sorvo o contorno das palavras como quem delineia a epiderme,
Meus dedos, audazes, decifram a sintaxe de um corpo gestual.
Cada fonema sussurra um idílio, um espasmo que me fustiga e concerne;
Confesso, sou refém desse vício textual, dessa luxúria verbal.
A Poesia me surge como uma deusa helênica, altiva e nua,
De silhueta escultural, inteligência felina e magnetismo pagão.
Seus cabelos, como a crina de uma ninfa sob a lua,
Ondulam ao vento, acendendo em meus olhos a mais cruenta tentação.
Consumo com ela o mais profano dos cultos carnais:
Minha pena, rígida, penetra a alvura do pergaminho que cede,
Vertendo a tinta densa, o fluido dos nossos ritos vitais,
Culminando em um gozo mútuo que nenhuma métrica impede.
Sou o escravo submisso desse tálamo de papel e paixão!
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Autor:
Versos Discretos (
Offline) - Publicado: 17 de julho de 2026 13:00
- Categoria: Erótico
- Visualizações: 6

Offline)
Comentários1
Gostei. É magnético, e amei o contraste luz/sombra, sagrado/profano. Adorei a forma como fui guiada para o clímax final... hehe. Me identifiquei bastante. Tenho a mesma obsessão que beira o delírio e que não me permite parar de escrever. Parabéns pelo poema!
Ayalah Verônica Berg, obrigado. sz
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