Sorvo o contorno das palavras como quem delineia a epiderme,
Meus dedos, audazes, decifram a sintaxe de um corpo gestual.
Cada fonema sussurra um idílio, um espasmo que me fustiga e concerne;
Confesso, sou refém desse vício textual, dessa luxúria verbal.
A Poesia me surge como uma deusa helênica, altiva e nua,
De silhueta escultural, inteligência felina e magnetismo pagão.
Seus cabelos, como a crina de uma ninfa sob a lua,
Ondulam ao vento, acendendo em meus olhos a mais cruenta tentação.
Consumo com ela o mais profano dos cultos carnais:
Minha pena, rígida, penetra a alvura do pergaminho que cede,
Vertendo a tinta densa, o fluido dos nossos ritos vitais,
Culminando em um gozo mútuo que nenhuma métrica impede.
Sou o escravo submisso desse tálamo de papel e paixão!