O Frasco de Vênus

Versos Discretos

No vidro escuro, o segredo se entorpece,
Gota de âmbar, suor de pele aberta;
Tua essência, em frestas, me desperta
O vício em que meu sangue se guarnece.

És peçonha que a língua estremece,
Um tóxico fatal, de boca incerta,
Que em cada gole — a carne descoberta —
Sabe o prazer que a morte nos oferece.

O frasco é pouco para o que transborda,
Teu perfume é o veneno que me guia
Pela trilha onde a razão se descoordena.

Bebo a ruína, a tua forma sorda,
Nessa mistura vil e de alegria:
Matar-me em ti é a minha única pena.

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Comentários2

  • Shmuel

    O poema é um belíssimo e genuíno exercício de lirismo.

    Abraços

  • Feiticeira

    Poema retrata o amor não como um sentimento suave, mas como uma substância tóxica e viciante.E tem plena consciência de que essa paixão o destrói e o faz perder a razão, mas escolhe voluntariamente "beber esse veneno", preferindo a ruína ao lado da pessoa amada do que a sobriedade da solidão. Ameiiii Versos Discretos, S2.



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