LIVRO SEM MEMÓRIA

Vilma Oliveira


Aviso de ausência de Vilma Oliveira
YES
Sinto a minha alma nua e esvaziada, 
Como um livro sem páginas, em branco, 
Sem memória ou história em seu barranco, 
Sem nenhuma emoção transfigurada... 
 
Sinto a alma tão turva e entrecortada 
No abandono das cores cintilantes; 
Meu coração... um eterno navegante 
A flutuar em ondas douradas! 
 
Quando busquei o amor entontecida, 
Achei a dor pungente e enlouquecida 
Nas míseras esmolas de um engano; 
 
Quando afugentei a vida em desespero, 
Lancei-me ao precipício com exagero... 
Diante das faces frias do profano! 

 

 

 

  • Autor: Vilma Oliveira (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 11 de julho de 2026 18:04
  • Comentário do autor sobre o poema: Breve análise sobre este soneto: O poema respeita rigidamente a estrutura do soneto clássico (dois quartetos e dois tercetos). Todos os 14 versos são rigorosamente decassílabos (10 sílabas poéticas). O ritmo flutua predominantemente entre o decassílabo heroico (acentos nas sílabas 6 e 10) e o sáfico (acentos nas sílabas 4, 8 e 10), garantindo uma cadência musical e melódica constante. O esquema adotado é ABBA / ABBA / CCD / Os quartetos utilizam rimas interpoladas e emparelhadas, trazendo estabilidade sonora. O uso de barranco no terceiro verso foi uma escolha criativa excelente para fechar a rima com branco, criando a imagem de um livro esquecido ou jogado à margem. A substituição final por profano eliminou a repetição de engano e criou uma rima rica e impactante para fechar o poema. O eu lírico começa estático, despido de memórias e emoções, comparando-se a um livro vazio. Na segunda estrofe, há uma transição melancólica: o coração tenta navegar por ondas douradas, mas esbarra no abandono das cores. Estrofes 3 e 4 (A Dor Ativa e o Clímax): O tom muda da apatia para o desespero dramático. A busca pelo amor resulta em frustração (míseras esmolas). O soneto encerra com uma imagem visual poderosa: o salto voluntário no precipício diante do olhar indiferente e gélido do mundo (faces frias do profano).
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 2
  • Usuários favoritos deste poema: Versos Discretos
  • Em coleções: Sonetos.


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