Vilma Oliveira

LIVRO SEM MEMÓRIA

Sinto a minha alma nua e esvaziada, 
Como um livro sem páginas, em branco, 
Sem memória ou história em seu barranco, 
Sem nenhuma emoção transfigurada... 
 
Sinto a alma tão turva e entrecortada 
No abandono das cores cintilantes; 
Meu coração... um eterno navegante 
A flutuar em ondas douradas! 
 
Quando busquei o amor entontecida, 
Achei a dor pungente e enlouquecida 
Nas míseras esmolas de um engano; 
 
Quando afugentei a vida em desespero, 
Lancei-me ao precipício com exagero... 
Diante das faces frias do profano!