O lugar dos mornos

Francisco Queiroz

Passo pelos anos estagnado:

não cresço, apenas resisto,

e não abandono nada.

 

Não sofri mal de coisa imposta,

tudo foi de mim.

E não me dei bem comigo,

apesar da aparente paz.

 

A visão simplista,

baseada em um passado distorcido,

se estendia em um labirinto

de contos fabulosos.

 

Não quis assumir nada,

nem as broncas recebidas ou dadas.

Afastei-me para o lugar dos mornos,

isentei-me de mim.

 

Hoje moro bem aqui, 

nos clichês, na ferida do vinil...

No imóvel geminado

vizinho ao arrependimento,

com vista para o covil.

 

Caminhando em vias

de dias perfeitamente monótonos.

Sem perspectiva que mude de

nota, rota, ou faixa.

  • Autor: Francisco Queiroz (Pseudónimo (Offline Offline)
  • Publicado: 8 de julho de 2026 22:36
  • Comentário do autor sobre o poema: Um suspiro, apenas um suspiro, e uma boa noite.
  • Categoria: Não classificado
  • Visualizações: 10
  • Em coleções: Silêncios.
Comentários +

Comentários1

  • Apegaua

    Lugar dos mornos, já ouvi falar desse lugar, dizem e não fui eu que os rudes e os brabos quando chegam por lá, ficam todos delicados.
    Mas, falando da obra em si.
    O que acho e que o poeta esta tomando vinho em cima do telhado e por o lugar ser mais alto, fica mais facil se submeter a inspiração.
    Esse seu dito apesar das aporrinhações, ficou porreta de bom.;
    Bravíssimo, vai escrever bem assim. lá nas Goianias.
    Parabens e toma cuidado com os escorpiões.
    Abraços, de uma boa semana.
    Apegaua

    • Francisco Queiroz

      Obrigado meu caro amigo, pela leitura carinhosa, são muito boas as nossas prosas...

      Na roca quase não dá escorpião, a maioria as penosas comem, já na cidade grande onde quase tudo é concreto tem muito, tô quase para trazer uma galo carijó e soltar aqui no quintal...

      Abraço e muito saúde



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