Francisco Queiroz

O lugar dos mornos

Passo pelos anos estagnado:

não cresço, apenas resisto,

e não abandono nada.

 

Não sofri mal de coisa imposta,

tudo foi de mim.

E não me dei bem comigo,

apesar da aparente paz.

 

A visão simplista,

baseada em um passado distorcido,

se estendia em um labirinto

de contos fabulosos.

 

Não quis assumir nada,

nem as broncas recebidas ou dadas.

Afastei-me para o lugar dos mornos,

isentei-me de mim.

 

Hoje moro bem aqui, 

nos clichês, na ferida do vinil...

No imóvel geminado

vizinho ao arrependimento,

com vista para o covil.

 

Caminhando em vias

de dias perfeitamente monótonos.

Sem perspectiva que mude de

nota, rota, ou faixa.