Ode à Luz Inquieta

Francisco Claudio Claudio Gia

Ode à Luz Inquieta

Claudio Gia, Macau RN, 08/07/2026

No dia em que o calendário rende homenagem
à mente que não dorme, ao olho que perscruta,
celebra-se o fogo antigo, renovado em labareda:
a Ciência, senhora austera, e o Pesquisador,
seu servo incansável, seu amante fiel.

Não são deuses, mas mortais que ousam
desnudar o véu das aparências. 

Com mãos trêmulas de frio e café madrugada adentro, erguem equações como catedrais de luz, onde o átomo revela seu segredo e o gene escreve, em código quádruplo,
a sinfonia da vida.

Curiosidade — essa fome sagrada —
empurra o barco frágil da razão
pelos oceanos do desconhecido.
Cada hipótese é uma vela içada contra o vento da ignorância; em cada experimento, um duelo cortês com o erro.

E quando a verdade se rende, humilde,
não é triunfo de ego, mas da espécie:
um passo mais alto na escada infinita
que leva do grunhido da caverna
ao murmúrio das galáxias.

Ó pesquisadores de jaleco branco ou camisa gasta, de telas que brilham no escuro de laboratórios silenciosos, de campos, de florestas, de dados que dançam em servidores frios: sois os cartógrafos da realidade,
os tradutores do cosmos para a língua humana.

Vós que medis o pulsar de uma estrela
e o ritmo do coração de uma criança doente;
vós que decifrais o alfabeto do vírus
e sonhos com vacinas como quem sonha com auroras;

Que a vossa dúvida seja sempre fértil,
que vossa paciência nunca se esgote,
que o rigor seja vosso escudo
e a imaginação, vossa espada mais afiada.

Hoje, 8 de julho, o Brasil inclina a cabeça
não perante ídolos, mas perante o intelecto que persiste.

Que a chama não se apague.
Que o questionamento nunca cesse.

Pois enquanto houver quem pergunte “por quê?”,
a humanidade não se resignará às trevas.

E o universo, vasto e indiferente,
por um breve e belo instante,
se sentirá compreendido.

 



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