Sombras da Convivência
Claudio Gia, Macau, RN, 06/07/2026
Nas ruas de asfalto e poeira, onde o calendário
marca o dia das zoonoses como um espelho partido, o homem e a fera entrelaçam destinos incertos.
Cães sem dono, espectros de fome e instinto,
vagabundeiam como ecos de uma criação esquecida, enquanto o Pitbull, símbolo de força bruta e lealdade traída, carrega nas mandíbulas o peso de sequelas e lamentos.
Não é o animal que acusa, mas o abandono humano: a cidade que multiplica sombras de quatro patas, a indiferença que semeia patógenos invisíveis, zoonoses dançando no limiar entre o selvagem e o civilizado.
Santa Maria Goretti, mártir da pureza, recorda
que a violência irrompe quando a compaixão se ausenta; o IBGE contabiliza números, mas não mede o vazio nos olhos de quem foge ou de quem morde por desespero.
Operadores de telemarketing, vozes distantes no éter, vendem soluções para um mundo que não escuta o latido nem o grito da criança marcada.
Intelecto exige mais:
reconhecer que a harmonia não nasce de proibições fáceis, mas de políticas que eduquem, esterilizem, protejam.
Cada rua é um laboratório de coexistência frágil,
onde o vírus salta e a mandíbula se fecha
por falha coletiva, não por essência maligna.
Que o dia 6 de julho nos desperte para a vigilância da fronteira entre espécie e espécie:
não temer o cão, mas curar a ferida da indiferença.
Na poeira de Macau, RN, ecoa o verso:
responsabilidade é o verdadeiro antídoto.
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Autor:
Claudio Gia (Pseudónimo (
Offline) - Publicado: 6 de julho de 2026 17:10
- Categoria: Não classificado
- Visualizações: 3
- Em coleções: Claudio Gia.

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